quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O nefasto poder da imagem


Foto: Israellycool.com
Há pouco tempo, vi uma imagem compartilhada no facebook que me chamou atenção. Esta mostrava um soldado israelense apontando um fuzil para um garoto. Ao abrir a imagem, me deparei com um bombardeio de comentários ofensivos, críticas de todos os tipos, infundadas, fundadas, ao exército, à guerra, a Israel, ao soldado, à mãe dele e até ao pobre menino. Mas ninguém se deu o trabalho de analisar a foto por mais de 5 segundos? Seria o suficiente para ver que soldado e criança estão em planos diferentes - é só olhar a posição dos pés - e assim fica claro que não há a ameaça sugerida na foto. 

A questão que quero levantar (independente do real significado da foto e do conflito) é de como uma imagem pode servir a um propósito escuso ao se alimentar de um julgamento precipitado. E é disso que se serve o jornalismo popular hoje, onde se escancara a imagem das pessoas, convertendo acusados e suspeitos em condenados e jogando-os aos leões e à execração pública. Depois da exposição excessiva, de um rosto estampado numa capa, na tela do Bocão ou do Jornal Nacional e compartilhado sem pudor no facebook, de nada mais vale o princípio da presunção de inocência. E de nada vale a notícia no rodapé, que inocenta o acusado. O estrago já foi feito e é irreversível.

Ao pensar no que postaria no blog, lembrei-me desta imagem do soldado israelense, e resolvi pesquisar. Encontrei a foto neste site, que diz, na legenda, que o soldado usa o rifle para indicar uma direção ao garoto (é o que parece mais plausível). 

Ao pesquisar o nome do fotógrafo, encontrei outra foto dele (postada no mesmo site), com  a mesma sugestão. Ao que parece, é um estilo do fotógrafo produzir outros significados às suas fotos.


João Gabriel

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