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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Touché!


Seguindo a mesma linha de pensamento de João Carvalho e lembrando da recente estadia da presidenta Dilma nas nossas terras, a fotografia vencedora do Prêmio Esso de Jornalismo foi a imagem denominada "Touché", publicada no jornal O Estado de S. Paulo.



O momento único foi flagrado pelo atento fotógrafo Wilton Junior, que diante da possibilidade de apenas cumprir sua pauta foi mais além, brindando a imprensa com a desconcertante imagem da presidenta sendo "apunhalada". Mais uma vez, a foto - que ilustrava uma notícia sobre a presença de Dilma numa solenidade de gala na Academia de Agulhas Negras - foi utilizada com sagacidade, com o objetivo de brincar com imaginação e permitir conclusões diversas. A presidenta, se observarmos a foto sem a legenda rapidamente, estaria sendo golpeada pelas costas. A legenda "Honras militares", por sua vez, traz ironia, compondo um par perfeito para suscitar comentários maldosos a respeito de supostos complôs contra a presidenta.

Nesse sentido, a imagem é impactante. O poder da fotografia de transmitir um determinado significado de acordo com sua composição, enquadramento e ângulo se mostra inegável. Palmas.


Letícia Andrade

Linguagem fotográfica e informação


A aula desta segunda-feira (7) trouxe para discussão a relação entre Linguagem fotográfica e Informação. O professor Rodrigo Rossoni abriu a exposição falando sobre um detalhe que, para ele, é fundamental: no fotojornalismo a produção da imagem pode unir beleza e informação, porém, certamente, o profissional desta área deve estar muito mais atento ao ato de comunicar o fato ou o evento, através do registro fotográfico.

Foi apresentada à turma a Estrutura de produção da imagem, que começou pela importância da implantação de uma editoria de fotografia dentro do veículo ou instituição, isso significa garantir imagens profissionais com qualidade.  Depois falamos sobre o repórter fotográfico, aquele que além do conhecimento técnico em fotografia deve ter o “olhar jornalístico”. Mas, para garantir uma boa foto e comunicar desde o fato previsto na pauta até situações adversas, depende-se do que o fotógrafo traz em sua bolsa. O profissional precisa está munido de câmera, lentes, flashs (mais de 1 para o caso de composição de cena), proteção contra às adversidades do ambiente como a chuva, e, as mais importantes (depois da câmera): bloco de papel e canetas (é preciso coletar o máximo de informação sobre aquilo que se está registrando).

Seguimos falando sobre a pauta, que serve como um verdadeiro norteador para o repórter, e o exercício de “estar em campo”, onde é preciso ter domínio do equipamento, diálogo com o repórter de texto e o olhar atento para explorar a linguagem.



Entre outros assuntos, Rossoni  finalizou falando sobre a Escrita Fotográfica, também chamada de Gramática Fotográfica. Antes de apresentarmos os 10 pontos desse instrumento, o fotógrafo deve saber que ele deve ter total controle do S.A.C (Sujeito, Ambiente e Circunstâncias) para só então partir para atender os itens abaixo:

ESCRITA FOTOGRÁFICA / GRAMÁTICA FOTOGRÁFICA

1. Composição
2. Enquadramento
3. Ângulo
4. Planos de imagem
5. Luz
6. Aberrações específicas
7. Foco
8. Movimento/Borrado
9. Cor/PB
10. Ponto de vista


Laís Gomes

O nefasto poder da imagem


Foto: Israellycool.com
Há pouco tempo, vi uma imagem compartilhada no facebook que me chamou atenção. Esta mostrava um soldado israelense apontando um fuzil para um garoto. Ao abrir a imagem, me deparei com um bombardeio de comentários ofensivos, críticas de todos os tipos, infundadas, fundadas, ao exército, à guerra, a Israel, ao soldado, à mãe dele e até ao pobre menino. Mas ninguém se deu o trabalho de analisar a foto por mais de 5 segundos? Seria o suficiente para ver que soldado e criança estão em planos diferentes - é só olhar a posição dos pés - e assim fica claro que não há a ameaça sugerida na foto. 

A questão que quero levantar (independente do real significado da foto e do conflito) é de como uma imagem pode servir a um propósito escuso ao se alimentar de um julgamento precipitado. E é disso que se serve o jornalismo popular hoje, onde se escancara a imagem das pessoas, convertendo acusados e suspeitos em condenados e jogando-os aos leões e à execração pública. Depois da exposição excessiva, de um rosto estampado numa capa, na tela do Bocão ou do Jornal Nacional e compartilhado sem pudor no facebook, de nada mais vale o princípio da presunção de inocência. E de nada vale a notícia no rodapé, que inocenta o acusado. O estrago já foi feito e é irreversível.

Ao pensar no que postaria no blog, lembrei-me desta imagem do soldado israelense, e resolvi pesquisar. Encontrei a foto neste site, que diz, na legenda, que o soldado usa o rifle para indicar uma direção ao garoto (é o que parece mais plausível). 

Ao pesquisar o nome do fotógrafo, encontrei outra foto dele (postada no mesmo site), com  a mesma sugestão. Ao que parece, é um estilo do fotógrafo produzir outros significados às suas fotos.


João Gabriel