Num pequeno artigo do site sobre tecnologia www.makeuseof.com (http://www.makeuseof.com/tag/are-smartphones-the-future-of-photography-we-ask-you/) li, recentemente, sobre a controvérsia em que se encontra a fotografia atualmente. Seu título: São os smartphones o futuro da fotografia?
O texto faz uma pequena reflexão sobre o papel que os smartphones com câmeras cada vez mais desenvolvidas estão desempenhando no dia a dia das pessoas e, particularmente, das companhias jornalísticas, como jornais impressos e websites jornalísticos.
Defende-se, no pequeno ensaio, a ideia de que sempre haverá lugar para os telefones simples, que comportam somente as funções de ligar e de enviar SMS. Porém, o surgimento e desenvolvimento de smartphones com câmeras cada vez melhores tem rompido o status quo. Milhares de pessoas têm deixado de usar suas câmeras digitais compactas em favor desta comodidade presente nos smartphones com resolução crescente das imagens.
As mudanças e efeitos ocasionados pela incorporação de câmeras aos smartphones têm sido tão intensas e drásticas que, no final de maio, o jornal norte-americano The Chicago Sun-Times demitiu toda a sua equipe de fotógrafos full-time, composta por 28 profissionais (dentre eles, John H. White, vencedor do Prêmio Pulitzer de fotografia).
As demissões teriam como base a necessidade de que os jornalistas aprendessem as habilidades básicas para se tirar fotos com smartphones. Tal atitude do jornal vincula-se, também, a adequações financeiras, pois, segundo o artigo, os jornais estão lutando para fazer dinheiro com a internet e com o jornalismo cidadão – liderado por pessoas comuns apontando seus smartphones para breaking news events (fatos noticiosos de grande impacto) – se tornando regra, essa é uma mudança de direção inevitável.
Realmente, o jornalismo tem de tomar decisões e direções movido por necessidades econômicas prementes para continuar sobrevivendo. Isso também está relacionado diretamente à necessidade de procurar adequar-se ao novo perfil de leitor de jornais, ou de leitores em geral. Os tablets, smartphones e plataformas de e-books vieram para ficar. Na verdade, talvez os jornais tenham percebido tarde demais a necessidade de se reinventar.
Segue, abaixo, tradução feita por mim de matéria do New York Times (http://www.nytimes.com/2013/06/01/business/media/chicago-sun-times-lays-off-all-its-full-time-photographers.html?_r=2&), mencionada pelo artigo do site www.makeuseof.com, sobre as demissões em massa dos fotógrafos do Chicago Sun-Times.
O Chicago Sun-Times demitiu toda a sua equipe permanente de fotógrafos na quinta-feira, incluindo um vencedor do Prêmio Pulitzer, num ato que a direção do jornal disse ter resultado de uma necessidade de mudança em direção a um maior foco ao vídeo on line.
O sindicato que representa muitos dos fotógrafos demitidos planeja apresentar uma taxa de negociação de má-fé com o Conselho Nacional de Relações do Trabalho, disse um líder sindical.
A companhia Sun-Times Media não comentou imediatamente sobre quantos postos de trabalho foram afetados, mas a Associação Nacional dos Jornais publicou um comunicado dizendo que 28 funcionários perderam seus empregos. As demissões incluíram fotógrafos e editores das publicações irmãs do The Sun-Times nos subúrbios.
“Eu ainda estou em choque”, disse Steve Buyansky, um editor de fotografia de três dos jornais suburbanos do grupo. “Eu não estou com raiva agora. Talvez eu fique depois.”
O senhor Buyansky disse que por volta de 30 fotógrafos e editores de fotografia foram chamados para uma reunião obrigatória na quinta pela manhã, na qual o editor do The Sun-Times, Jim Kirk, “falou por cerca de 20 segundos” contando-lhes que as demissões foram uma decisão difícil.
O senhor Buyansky disse que o vencedor do Prêmio Pulitzer do Sun Times, o fotógrafo John H. White, estava na sala e esta entre aqueles que foram demitidos. “É triste”, disse o senhor Buyansky, falando da taverna Billy Goat, um antigo ponto de encontro para beber dos jornalistas de Chicago, onde por volta de dez fotógrafos demitidos congregaram depois da reunião. “O Sun-Times tinha uma equipe de fotografia maravilhosa.”
A Sun-Times Mídia divulgou um comunicado na quinta-feira para a Associação de Imprensa confirmando a ação: “Hoje, o Chicago Sun-Times teve de tomar uma decisão muito difícil de eliminar a função de fotógrafo full-time (em tempo integral) como parte de reestruturação da equipe multimídia”. O anúncio realçava que “o negócio está mudando rapidamente” e que “o público está procurando mais por conteúdo de vídeos com suas notícias.”
O diretor executivo da Associação de Jornais de Chicago, Craig Rosenbaum, disse que um processo contra uma ação de trabalho injusta seria movido em reação ao anúncio da companhia. O sindicato está negociando um novo contrato e a companhia disse ao mesmo, recentemente, na rodada de negociações, que nenhuma demissão de fotógrafos foi planejada, disse o senhor Rosenbaum.
Como a maioria dos grandes jornais, o The Sun-Times, que foi comprado pela companhia de investimentos Wrapports, em 2011, foi atingido com força pela guinada tecnológica que fez com que mais pessoas se debruçassem sobre seus computadores pessoais e dispositivos móveis para se informarem. Assim como os leitores abraçaram as tecnologias digitais, também o fizeram os anunciantes, num movimento que tem frequentemente desviado as maiores fontes de receitas das editoras de jornais.
O Chicago Sun-Times terminou setembro de 2012 com uma circulação paga de 263.292 exemplares, de acordo com o anúncio mais recente feito pela Aliança para a Audição das Mídias. Isso contrastou com a circulação de cerca de 341.448 exemplares no mesmo período de 2006. Incluindo edições satélite que operavam sob outros nomes, a circulação total do Sun-Times em setembro de 2012 foi de 432.541 exemplares.
Alan Gusmão
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