sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Dando um trato no retrato

Retrato. Aos olhos de um amador pode parecer muito simples, como uma foto 3x4. Aos olhos de um aprendiz de fotografia é bem mais que um “boneco".


Produzir retratos, esta foi a terceira atividade de campo designada pelo professor Rodrigo Rossoni aos seus alunos, futuros fotojornalistas. Algumas pautas foram sugeridas e o cumprimento de algumas era a grande tarefa da tarde de quarta-feira, dia 20. Mas que fator define o que é ou não um bom retrato? Bem, isso nos remete a uma aula que tivemos há alguns dias antes. Um bom retrato não é algo tão simples quanto parece, pois é necessário situar o indivíduo no meio ao qual foi intencionada aquela matéria, ou seja, traduzir com imagens o perfil daquele personagem, perfil esse que, a princípio, pode sugerir uma foto "lugar comum". É exatamente isso o que difere o fotógrafo do amador, a capacidade de perceber, pensar e ter sensibilidade por trás de uma máquina fotográfica, não só mais um mero reprodutor, um criador.

Talvez a ideia que temos em mente quando nos deparamos com "retrato" venha por meio do nosso repertório cultural ou do conhecimento prévio que cada um de nós tem a respeito do que esta palavra representa socialmente. Parte desses pressupostos pode ser gerada por meio das influências de grandes obras de arte clássica, como por exemplo, o retrato de Mona Lisa, do pintor renascentista Leonardo da Vinci; um típico modelo de pintura que segue enquadramento tradicional, com elementos básicos de retrato da face da musa, sem subjetivismos visuais e destaque do primeiro plano. Basicamente um enquadramento simples seria ótimo e atingiria o objetivo que se busca. Entretanto, para o fotojornalismo, os fins são outros. 

Enquanto na antiguidade usava-se o retrato como forma de representação pura e simples, sem a intenção de conferir nenhum outro caráter simbólico à imagem, o fotojornalismo busca a simbologia, a representação lúdica, a conferência por meio de elementos externos, de um propósito àquele indivíduo. “Mas quem é essa pessoa?” Esta é a primeira pergunta e “como representar esta personagem diante das circunstâncias em que está inserida?”, é a questão que surge logo em seguida.

A arte de observar, pré-visualizar e criar, agregada aos conhecimentos técnicos da fotografia, permite ao fotojornalista um bom resultado. Esta foi a intenção do trabalho de campo, o contato com as situações do cotidiano e o recorte na hora de retratar indivíduos aparentemente comuns. Ângulos, composições, enquadramentos, planos, destaques, sujeito, circunstância... tantos fatores podem determinar um bom ou mau resultado. Como produzir imagens interessantes? Será que o resultado da saída foi positivo? Alcançamos os objetivos com criatividade e excelência? Bem, saberemos nos próximos capítulos.


Texto: Lucas Seixas
Revisão: Lucas Araujo

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